É hora do governo reconhecer a importância econômica do artesanato

Talvez eu não consiga me expressar como alguém que entende de governo ou de economia

Driele Lustosa
Publicada em 07 de abril de 2020 às 15:22

Talvez eu não consiga me expressar como alguém que entende de governo ou de economia. Sou apenas uma mãe, que, como tantas outras, governa sua casa e vive no dia a dia os impactos econômicos no preço dos alimentos, na conta de energia, na recarga do celular. E que ajuda o marido no orçamento doméstico com a produção de artesanato.

“Natural de Porto Velho, casada, artesã”, é assim que me identifico quando tenho que preencher algum formulário. E essas são três qualidades das quais eu gosto muito. Ser uma dona-de-casa e mãe de família pra mim significa muito, pois me dá a oportunidade de preparar minhas filhas para que venham a me superar e tenham uma vida ainda melhor que a minha.

Ser porto-velhense é tudo de bom. Tenho muita honra de ter nascido aqui e confio em Deus que Porto Velho um dia ainda vai ser administrada por quem de fato cuide dessa cidade com o carinho que nosso povo merece, pois nenhum outro povo recebe com tanto carinho aqueles que chegam de fora para contribuir com o crescimento da nossa cidade e do nosso Estado.

E ser artesã me dá uma satisfação muito grande, principalmente quando tenho a oportunidade de visitar alguma criança com seu quarto decorado pelas peças que eu produzo. Cores, vida e alegria, que compartilho com clientes e amigos através do meu trabalho.

Tenho visto muitas notícias e comentários nos jornais e nas redes sociais sobre as medidas que o governo deve tomar para reativar a economia depois que o isolamento social acabar e mesmo já agora, durante a pandemia, garantindo comida na mesa de nossas famílias. Espero, sinceramente, que o governo dê a devida atenção para o artesanato.

Muita coisa que é feita por artesãos substitui plenamente produtos das fábricas que, para funcionarem, precisam ter seus operários reunidos num mesmo espaço e indo e voltando para casa diariamente. E qualquer pessoa de bom senso sabe que isso aumenta o risco de contaminação. Um exemplo de uma coisa simples é um porta-lápis, desses que encontramos em todas as mesas de trabalho nas repartições públicas. Mas o governo só compra aqueles de plástico, geralmente pretos, sem graça, sem colorido, sem vida.

Seria tão difícil uma iniciativa de um governante no sentido de favorecer a compra da produção artesanal? Acredito que não. Pra mim é mais uma questão de boa vontade. Só isso. E aqui dei apenas o exemplo do porta-lápis, mas temos também a decoração das creches públicas, a produção de mantas de tricô e crochê para recém-nascidos e mais uma infinidade de coisas que são produzidas por pais, mães e também jovens, dentro de suas próprias casas, numa jornada de trabalho conciliada com as tarefas domésticas.

Espero que alguma autoridade pública pense nisso. Pois, dessa forma, o governo também estará nos ajudando. E vamos nos sentir muito mais felizes em recebermos um pagamento pelo nosso trabalho, por aquilo que produzimos, do que engrossando a fila daqueles que, verdadeiramente impedidos de trabalhar, precisam da ajuda financeira do governo para sobreviverem a essa crise.

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