Espaço alternativo: estará surgindo mais um mercado persa numa área nobre de Porto Velho?

Será, então, a morte de um dos mais belos locais de lazer para o público, numa Capital onde o lazer é raro, afora ir para banhos nos fins de semana

Sérgio Pires
Publicada em 14 de janeiro de 2020 às 09:02
Espaço alternativo: estará surgindo mais um mercado persa numa área nobre de Porto Velho?

Tem pipoca? Tem, sim senhor! Tem churrasquinho feito na hora? Tem, sim senhor? E cerveja, água de coco, água gelada, drinques com bebidas alcóolicas? Também tem. Tem um cavalinho para as crianças montarem e tirarem fotos. Um pônei de verdade, não daqueles de madeira. De vez em quando um carro sobe na calçada, para descarregar mercadorias, onde as pessoas caminham e correm.  No meio do público, bicicletas e alguns patinetes elétricos, colocando em risco os que andam e correm a pé. Passa, lentamente, observando tudo, uma viatura da PM, com quatro policiais dentro. Dão segurança, mas não têm poderes de tirar quem usa as calçadas para colocar seus carrinhos de venda, seus brinquedos, tendas, cadeiras e mesas. Sem controle algum, o Espaço Alternativo caminha, célere, para se tornar mais uma espécie de mercado persa. Como os que já existem em algumas praças do centro (a Jonathas Pedrosa e a Praça do Baú são exemplos, entre outras). Falta ainda o asfaltamento na futura área do estacionamento de dois mil carros. Falta organização. Tem que separar caminhantes e corredores das bicicletas e dos patins. Tem que retirar das áreas destinadas aos usuários tantos ambulantes, outros tantos brinquedos que ocupam espaço do público e são montados para atrair crianças; tem que ter banheiros; tem que ter fiscalização, senão o Espaço Alternativo, em breve, se tornará mais uma Casa da Mãe Joana, onde ninguém manda e todos fazem o que bem entendem. Será, então, a morte de um dos mais belos locais de lazer para o público, numa Capital onde o lazer é raro, afora ir para banhos nos fins de semana.

O projeto do Espaço Alternativo foi um presente para Porto Velho, uma cidade tão carente como a nossa em locais semelhantes. Sua passarela, construída há pouco, ganhou destaque nacional, por sua beleza. As famílias começaram a ir para lá e, principalmente nos sábados e domingos, uma verdadeira multidão aparece. O problema é a manutenção. O Governo construiu, mas até agora não repassou a obra para a Prefeitura. Não há qualquer esforço de ambas as partes para resolver o problema, porque um fica empurrando a responsabilidade para o outro. Não há controle algum sobre os ambulantes, por exemplo. De vez em quando, um motorista desavisado, se esquece que está numa área para caminhada, depois de determinada hora da tarde e passa entre os frequentadores. Carros entram a qualquer hora, para abastecer barracas. Cadeiras são colocadas na grama dos canteiros, que, obviamente, em breve vai sumir. Nas madrugadas, drogados e bêbados fazem festa, até arrancando madeira dos bancos para fazer churrasco. Aliás, alguns equipamentos de ginástica já estão exigindo manutenção e não a tem. Por falta de controle e comando, Porto Velho pode perder uma relíquia de lazer que recebeu há tão pouco tempo. No Espaço tem coisas boas? Claro que tem. Muita coisa boa. Mas precisamos protestar contra o que está ruim e que depende do poder público, para termos aquele local por longos anos, a serviço da população.

CARTA NA MANGA

A promessa é não dar nomes e ela será cumprida. Mas o contexto não se pode deixar de comentar. Há, nos bastidores da política, uma conversação, que começou lenta, mas já é bem intensa, sobre um grande nome para a disputa da Prefeitura de Porto Velho e o MDB, ainda o maior partido do Estado. Segredo guardado a sete chaves.  Pouquíssimas pessoas têm acesso ao assunto e as que o tem, combinaram não falar nenhuma palavra, antes que tudo seja definido e que o martelo seja batido, de forma definitiva. Se por acaso a negociação fracassar, ninguém ficará sabendo de nada. A coluna, contudo, sabe sim. Vai acompanhar os bastidores das conversas e, lá na frente, seja qual for o resultado das conversações que estão em andamento, dará os detalhes. É conversa de gente grande, com chances reais na política rondoniense. Mais que isso, ao menos por enquanto, não se pode contar, sob pena de faltar com a palavra com a fonte. Por aqui, esse quesito é levado a sério. Mas que em breve o assunto pode se tornar público, pode sim! É só ter um pouco de paciência...

ROCHA: PASSADO OU FUTURO?

O governador Marcos Rocha anuncia que vai gravar uma série de vídeos e postá-los em suas redes sociais, com cada um dos seus secretários, oportunizando a eles que façam um resumo das suas atividades no primeiro ano da atual administração, numa espécie de retrospectiva. A síntese do que mais importante realizou o Governo em 2019, contudo, já foi trazida a público, eventualmente através dos secretários, mas muito também pelo próprio Coronel Governador, que andou pela mídia mostrando os (bons) resultados do seu trabalho. É sempre bom valorizar a equipe e dar a ela espaço para mostrar serviço perante a opinião pública. Em relação a isso, não há o que se contestar. A coluna, contudo, humildemente, gostaria de dar um pitaco nessa história, com visão diferente da que tem o Governo. Com todo o respeito à estrutura de mídia do Governador, como a população, no geral, já conhece os pontos altamente positivos do ano inicial de Marcos Rocha no poder, quem sabe vídeos falando sobre os planos de 2020, não teriam resultados melhores perante a opinião pública? O rondoniense, certamente, gostaria de conhecer a fundo, detalhadamente, as prioridades do atual Governo para o segundo ano de mandato, já que o primeiro terminou. Quem sabe esse passo não seja o próximo, em nível de informação, a ser praticado pelo Governo?

RISCO DE NOVA ENCHENTE?

O domingo chuvoso, com a água caindo de forma intermitente o dia inteiro, alguns momentos mais fortes, noutros menos, certamente atrapalhou o final de semana do rondoniense. Mas não é esse tipo de chuva que preocupa. O que anda tirando o sono de autoridades, do pessoal da Defesa Civil e outros organismos, é o grande volume de chuvas que têm vindo com o derretimento do gelo nos Andes e nas cabeceiras dos rios da Bolívia. É daí que vêm as enchentes também por aqui. O rio Acre, em Rio Branco, já está quase saindo do leito. O Rio Madeira subiu muito nos últimos dias. Há sim preocupação de que corremos o risco de termos nova enchente. Certamente não no tamanho daquela que nos atingiu com uma força descomunal em 2014, mas há risco de novo transbordamento do rio Madeira e outros rios do Estado. Já está havendo reuniões, aliás, entre equipes da defesa civil, com representantes da Santo Antônio Energia, por exemplo, que tem apoiado as ações preventivas e os projetos de proteção à população, caso ocorra nova cheia.

A FAKE SOBRE NEGREIROS

É sempre bom ler, acompanhar, ficar por dentro, pesquisar, antes que se cometa uma injustiça. Mais uma delas estava surgindo, dessa vez contra o presidente da Câmara de Vereadores de Porto Velho, Edwilson Negreiros. Nas redes sociais e até em alguns sites bastante respeitáveis, correu uma notícia que, projeto de autoria de Negreiros teria o absurdo intuito de autorizar fila dupla de carros estacionados por pais que vão buscar seus filhos na escola. Quem não leu o texto da Lei 2701, já aprovada, “traduziu” que ela autorizava a excrescência. Nada disso. No parágrafo primeiro, a nova lei já demonstra sua preocupação com o cumprimento integral do que determina o Código Nacional de Trânsito. Fosse um pouco mais atento, quem espalhou a informação Fake leria que, claramente, o parágrafo 2 avisa, textualmente, que “não é permitido o estacionamento duplo em frente a escolas”, mesmo no horário em que os pais vão buscar seus filhos. Negreiros inventou, na verdade, uma lei inócua, já que ela existe em nível federal. Mas em nenhum momento sequer deu algum indício de que seu projeto aceitava a fila dupla, como hoje ocorre em frente a algumas escolas. Quase que essa coluna embarcou nessa história. Foi salva pelo atento e competente Dinossauro, o professor Jorge Peixoto, que pesquisou detalhadamente a lei e deu as informações corretas aos ouvintes do Papo de Redação, da Rádio Parecis FM e, obviamente, ajudou também esse cronista a não errar.

EVO QUER MILÍCIAS NA BOLÍVIA

Milícias na Bolívia. Como elas abundam na Venezuela. Foi isso que defendeu o ex presidente boliviano, Evo Morales, numa gravação em que partidários tentaram mentir, dizendo que é falsa, mas que o próprio ex Presidente, hoje refugiado na Argentina, confirma que é verdadeira. Imaginando que todo o mundo é idiota, como, aliás, muitos dos líderes da esquerda pensam sobre seus adversários e os povos que comandam, afirmou, ingenuamente, que “não se referiu à milícias que portassem armas (???), mas sim a grupos de defesa dos cidadãos que fossem atacados pelo novo governo”. Nem Dilma Rousseff, com sua ignorância ou Lula, com sua malandragem, imaginariam uma resposta tão infantil. Essa declaração é um dos motivos pelos quais o novo governo do país, comandando interinamente pela senadora Jeanne Áñez, emitiu ordem de prisão contra Morales. Ele está abrigado pelo novo governo argentino, que é de esquerda. Por enquanto, na condição de refugiado, ele está protegido por seus “cumpanheros” portenhos. 

NOSSA SOJA É UM SHOW

Tem mesmo que esfregar no nariz dos idiotas, que se fazem de mal informados (só alguns poucos o são, na verdade, porque a grande maioria conhece a verdade), para “protestar” contra o aumento do plantio de soja no Estado. A cultura desse rico produto tem crescido até 20 por cento ao ano em Rondônia, sem que novas áreas sejam derrubadas. O reaproveitamento de áreas com o plantio da soja e criação de gado (temos um dos maiores rebanhos do país, andando célere para 14 milhões de cabeças), faz com que ensinemos como produzir mais, sem causar mais danos ambientais. Nesse ano, a previsão é que a safra da soja chegue a mais de 1 milhão e duzentas mil toneladas, um recorde desta região norte e um aumento considerável sobre o ano anterior. Os números foram confirmados no último sábado, num encontro no lançamento do programa da safra 2019/2020, comandado pelo governador em exercício, Zé Jodan. O secretário da Agricultura, Evandro Padovani afirmou que chegaremos a uma área de 400 mil hectares das plantações de soja. Em cinco anos, para Padovani, atingiremos a 1 milhão de hectares, sem prejuízos ambientais. A lição está sendo dada, embora os idiotas de sempre continuem com seus discursos vazios, que, aliás, são poucos os que ainda acreditam...

PERGUNTINHA

Não é de arrepiar e deixar o rondoniense apavorado, um início de ano com crimes brutais como o ex marido que matou a mulher e a ex cunhada, depois se matou, em Porto Velho  e o caso do corpo feminino sem cabeça, que apareceu boiando num rio de Alvorada do Oeste?

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Comentários

  • 1
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    Sebastião Farias 17/01/2020

    " A RESPEITO DO ESPAÇO ALTERNATIVO DE PORTO VELHO" À luz de tudo isso que foi apresentado, pelo caro formador de opinião acima, e de nossa parte, objetivando contribuirmos para a instrução e prática cidadã de todo cidadão consciente e de boa vontade, no amparo constitucional de seus pleitos, é que, com foco no Parágrafo Único do Artigo 1º da Lei Orgânica do Município de Porto Velho-RO que assim afirma: ”Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos, ou diretamente, nos termos das Constituições Federal e Estadual e desta Lei Orgânica”, sugerimos e apelamos aos governos estadual e municipal, para que estudem uma forma de parceria institucional pública, que solucione de vez, esses gargalos do Espaço Alternativo de Porto Velho-RO. e, que têm responsabilidades afins com a gestão conjunta desse Espaço Alternativo de Porto Velho-RO para benefício e satisfação da população, a qual, não pode ter dúvidas, de quem é o responsável institucional, por cada ação implementada. Tudo isso no que tange: i) Ao planejamento racional, identificação com faixas pintadas no solo e/ou marcas coloridas de fácil percepção no chão; 2) Seleção, treinamento e cadastramento, dos micros empreendedores que atuarão no logradouro; 3) A proteção, a manutenção, a conservação e a fiscalização do uso correto e da conformidade da qualidade dos produtos e serviços ofertados à população, inclusive, a qualidade higiênica e sanitária; 4) Da segurança pública integrada, das pessoas beneficiárias, dos patrimônios públicos locais, da mobilidade automotiva no espaço alternativo e no seu entorno. Também, que desse entendimento e ação conjunta, resultem que, os agentes públicos de polícia, independente de que sejam federal, estadual ou municipal, ou seja todos eles, nos casos em que pessoas maltratem, sujem, vandalizem, depredem, etc, o patrimônio público, tenham responsabilidades e sejam orientados a advertirem, essas pessoas mal educadas como se portarem em lugar público. Da mesma forma, àqueles cidadãos que circulem com carros em lugares inadequados e, que coloquem em risco a vida alheia, assim como, nos casos de desobediência, reincidência do malfeito ou de desrespeito à autoridade, esses agentes, possam, conforme a gravidade do caso e com amparo na lei específica, efetuarem a prisão dos infratores e enquadrarem na lei. São essas, a nossa contribuição e sugestões. Paz e bem, Sebastião Farias Um brasileiro nordestinamazônida

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    Rui Carlo 14/01/2020

    No artigo "NOSSA SOJA É UM SHOW" apresenta números de crescimento na produção do produto... pergunta-se: - O Secretário falou que "O secretário da Agricultura, Evandro Padovani afirmou que chegaremos a uma área de 400 mil hectares das plantações de soja" (retirado do texto, linha 10-11), como "chegaremos" é sinal de que não chegamos, então serão desmatados quantos hectares mais para chegar-se a essa cifra e à quantidade de 1 milhão de hectares em 5 anos (linhas 11-12)? Ou como se conseguirá este crescimento sem desmatamento e não somente o desmatamento. Esta soja é transgênica, é banhada com quantos mil litros de pesticida, inseticida etc? Ao se abrir clareiras para pastos e plantio de soja está, sim, afetando o meio ambiente pois a floresta nativa abriga espécies de plantas e animais de diversos gêneros (insetos, aves, moluscos, anfíbios, repteis, mamíferos) afetando certamente a cadeia reprodutiva deles, bem como afetando a produção de O2 e CO2, em escalada que afetará a vida de todos. A ganância do ser humano sempre encontrará desculpas para a exploração da vida, contudo são desculpas para o que se realmente deseja não é produzir soja, oferecer emprego e condições de vida - isso e outros paliativos são a outra face da moeda, o real motivo é o empoderamento financeiro de grupos nacionais e principalmente estrangeiros que lucram rios de dinheiro. Há coisas mais importantes que o acúmulo de riquezas na mão de poucos, contudo estamos numa sociedade em que a postura e a prática pelo excesso norteia a prática comercial e das políticas. Que possamos, rapidamente, rever a postura disso tudo, pois o Planeta é um Só, e não existe "fora" - tudo está no mesmo ambiente e se afetando mutuamente

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