Coimbra, empresa de Mário e Márcio Português, nega que esteja envolvida em lavagem de dinheiro do tráfico de drogas internacional

Polícia Federal diz que empresa Coimbra faz parte de organização criminosa que atuava na lavagem de capitais e evasão de divisas oriundas do tráfico internacional de drogas, além de sonegação fiscal.

TUDORONDONIA
Publicada em 15 de março de 2019 às 11:24
Coimbra, empresa de Mário e Márcio Português, nega que esteja envolvida em lavagem de dinheiro do tráfico de drogas internacional

A Distribuidora Coimbra, dos empresários Mário e Márcio Português, alvo da Operação Dracma da Polícia Federal, que visa coibir a sonegação fiscal e a lavagem de dinheiro do tráfico internacional de droga, distribuiu nota negando seu envolvimento com a organização criminosa desmantelada nesta segunda-feira.

Em sua nota, a empresa diz que não compactua com qualquer atividade ilícita. “Trata-se de empresa idônea, atuante no mercado há mais de 2º anos sempre prezando pela transparência, motivo pelo qual está cooperando com as investigações. Ao final restará provado  no curso do processo a inexistência de supostos crimes imputados a seus dirigentes”, diz.

ALVOS DA PF

Diferente do que diz a nota da Coimbra, a Polícia Federal apurou o suposto  envolvimento tanto da empresa quanto de seus dirigentes na sonegação fiscal, lavagem de dinheiro do narcotráfico, entre outros ilícitos.

A investigação, que teve desdobramento nesta quinta-feira, resultou em busca e apreensão nas residências dos dirigentes da Coimbra, bem como em seu afastamento do comando da empresa; bloqueio de mais de R$ 70 milhões, apreensão de lanchas, carros de luxo, motos, entre outros bens.

SAIBA MAIS

A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e com apoio logístico do Exército Brasileiro, deflagrou nesta quinta-feira (14/03) a Operação Dracma com o objetivo de combater organização criminosa que atua na lavagem de capitais e evasão de divisas oriundas do tráfico internacional de drogas, além de sonegação fiscal, principalmente na cidade de Guajará-Mirim/RO. 220 policiais federais e 22 servidores da Receita Federal participam da operação para dar cumprimento à 72 mandados de busca e apreensão em diversas cidade dos Estados de Rondônia, Pará e Mato Grosso. 

A justiça determinou, ainda, o afastamento preventivo dos principais investigados (gerentes e proprietários) das suas funções nas empresas envolvidas com o esquema criminoso, e o sequestro de bens e valores dos investigados. Somados, os recursos bloqueados podem ultrapassar a cifra de R$70.000.000,00 (setenta milhões de reais).  

Os 26 inquéritos policiais, 36 relatórios fiscais e 86 laudos de perícia financeira que compõem a investigação apontam que grandes empresas comerciais-exportadores do estado de Rondônia mantêm, há anos, atividades secundárias de captação e administração de capitais, remessa e conversão de câmbio, direta ou indiretamente, de pessoas físicas que se dedicam à prática do tráfico de drogas e outros crimes.

Em síntese, o esquema funcionava da seguinte forma:
 

•    Parte dos lucros que grandes empresas distribuidoras/exportadoras deveriam receber pela venda de produtos para Bolívia, ao invés de serem repatriados, eram encaminhados diretamente a cambistas daquele país para fim de custódia dos valores; 
•    Traficantes estabelecidos em estados do Nordeste e no Pará remetem de forma sistemática, nos últimos 10 anos, centenas de milhões de reais para contas correntes em nome de pequenas empresas e pessoas físicas em Rondônia. São as chamadas “contas de passagem”; 
•    Após receberem os valores, essas intermediárias realizavam depósitos sucessivos nas grandes empresas distribuidoras/exportadoras do estado, as quais recepcionavam os recursos e emitiam “autorizações de pagamento”, uma espécie de cheque ou voucher que credenciava o portador a sacar o valor nele inscrito em algum cambista boliviano da cidade de Guayaramerin-BOL. Não havia emissão de qualquer nota fiscal para sustentar a licitude da transação; 
•    Os portadores do “cheque ou voucher” sacavam os valores nos cambistas bolivianos e efetuavam o pagamento de drogas adquiridas naquele país; 
•    Os traficantes na Bolívia, já remunerados, forneciam as drogas que abasteciam o tráfico em cidades nordestinas e do interior do Pará, fechando o ciclo criminoso de lavagem de capitais (dissimulação da origem e destino de valores espúrios) e evasão de divisas pelo sistema conhecido como “dólar-cabo” (sistema paralelo de remessa de valores ao exterior através de compensações financeiras extraoficiais entre os envolvidos).  

A vantagem para as empresas de grande porte era a apresentação ao fisco de lucro formal aquém do efetivamente conquistado e o consequente pagamento de tributos “a menor”.

Os intermediários recebiam entre um e cinco por cento dos valores recepcionados e encaminhados para o país vizinho, a título de remuneração.    

Eis o quadro sinótico da sistemática criminosa: 

Além de agirem como verdadeiras instituições financeiras do tráfico de drogas, a partir de cruzamentos realizados pela Receita Federal foi constatado ainda que as citadas empresas de grande porte se valem irregularmente dos benefícios tributários destinados exclusivamente para a área de livre comércio de Guajará Mirim/RO. 

Observou-se neste trabalho uma sistemática retirada de mercadorias da área beneficiada sem o devido recolhimento de tributos. Essas mercadorias abasteceram irregularmente filiais das próprias empresas em diversas cidades de Rondônia ou eram revendidas diretamente para outros estados.

Projeções realizadas pela Receita Federal estimam que entre os anos de 2009 a 2016 aproximadamente R$ 2 bilhões em mercadorias foram retirados irregularmente pelas empresas investigadas da área de livre comércio irregularmente, com prejuízo aos cofres públicos, pelo não recolhimento de tributos federais, de aproximadamente R$ 300 milhões, não contabilizados eventuais juros e multas.

O nome da operação (DRACMA) é uma alusão à antiga moeda grega e à necessidade de seguir o rastro do dinheiro durante as investigações dessa natureza, analisando-se a dinâmica financeira estabelecida entre os investigados para se determinar o modus operandi e identificar os reais beneficiários do crime investigado.

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Comentários

  • 1
    image
    Sergio 15/03/2019

    A policia errou. O Ministério Publico errou. A Justiça errou. Todo mundo errou. Certo é fazer falcatruas. Onde estamos? Inversão de valores?

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