Governo anuncia retorno das aulas presenciais, mas transfere a responsabilidade aos pais ou responsáveis sobre os possíveis casos de Covid-19 nas escolas

A atitude do Governo do Estado pode ser julgada como absurda, pois demonstra tamanha falta de sensibilidade com a comunidade escolar já que transfere responsabilidade de ações que deveriam ser de sua competência para terceiros

SINTERO
Publicada em 21 de julho de 2021 às 15:16
Governo anuncia retorno das aulas presenciais, mas transfere a responsabilidade aos pais ou responsáveis sobre os possíveis casos de Covid-19 nas escolas

O Governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha, anunciou nesta terça-feira (20/07), que a Rede Pública de Ensino retornará com as atividades presenciais a partir do dia 09 de agosto. A medida caminha em contramão ao posicionamento da Frente Sindical da Educação de Rondônia, que defende o retorno presencial somente após completa imunização dos trabalhadores/as em educação, com aplicação da 2ª dose das vacinas contra a Covid-19, adequação das estruturas físicas das escolas e com adoção de protocolos sanitários recomendados pelos órgãos de saúde.

A Frente Sindical da Educação de Rondônia analisa a decisão como arbitrária e unilateral, uma vez que, anteriormente, solicitou participação nas discussões sobre o assunto, através do Gabinete de Articulação para Enfrentamento da Pandemia na Educação em Rondônia (GAEPE-RO) e solicitou acesso ao Plano de Operacionalização do Retorno às Aulas Presenciais, mas não teve seus pedidos atendidos. Então, foi surpeendida pela tomada de decisões de orgãos que não possuem competência para deliberar sob ponto de vista técnico, científico e pedagógico.

Outro agravamento observado no pronunciamento do governador é a atribuição da responsabilização aos pais ou responsáveis, caso haja contaminação dos estudantes. Ou seja, eximindo o Poder Público de qualquer responsabilidade se isso acontecer. Os pais deverão assinar um Termo de Responsabilidade assumindo todo e qualquer risco, conforme Anexo V do Plano de Operacionalização do Retorno às Aulas Presenciais.

A atitude do Governo do Estado pode ser julgada como absurda, pois demonstra tamanha falta de sensibilidade com a comunidade escolar já que transfere responsabilidade de ações que deveriam ser de sua competência para terceiros. Destaca-se que a suspensão das aulas presenciais sempre teve um único propósito, assegurar a saúde e bem-estar de todos, tendo os pais resguardados seus filhos da exposição ao vírus e, agora, terão que responsabilizarem-se injustamente pelos casos de contaminação nas escolas.  

Destaca-se que recentemente a Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia (Agevisa) anunciou que diminuiu o espaço de tempo entre a aplicação da 1ª e 2ª doses das vacinas, especialmente para os profissionais da Educação como uma das estratégias do Governo do Estado para efetivar o retorno presencial. Entretanto, o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já posicionou-se diante dessa medida ressaltando que não há evidências de que o encurtamento de prazo da imunização irá promover mais eficácia no combate às variantes do vírus. Logo, não há uma indicação por parte do Ministério da Saúde sobre isto. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também divulgou nota sobre o tema e esclareceu que a vacina  AstraZeneca alcança proteção e resposta imunológica ainda mais robusta quando respeitado o intervalo de 12 semanas. A nota diz ainda que o regime de doses adotado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) está respaldado por evidências científicas e, qualquer mudança, deve considerar os estudos de efetividade e a disponibilidade de doses. Na avaliação do Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, a pandemia está longe acabar e o mundo está entrando em uma nova onda de infecções em razão da falha global no compartilhamento de vacinas, testes e tratamento contra a Covid-19. Para ele, enquanto países mais desenvolvidos economicamente estão abrindo as fronteiras outras menos favorecidos não conseguem retardar a transmissão, o que demonstra desigualdade no acesso aos imunizantes.

A Frente Sindical da Educação de Rondônia reitera preocupação diante do retorno presencial na Rede Pública de Ensino e reivindica manifestação por parte dos órgãos de saúde para que certifiquem à sociedade, que as escolas possuem condições de segurança para atender toda a comunidade escolar sem apresentar riscos. Pois sabemos  que as escolas é um ambiente de grande circulação de pessoas e que poderá constribuir para uma grande transmissão comunitária do vírus, inclusive da nova cepa do Coronavírus denominada Delta, que tem origem indiana.

A Frente Sindical da Educação de Rondônia permanece com a luta em favor do bem mais precioso, a VIDA e, por isso, defende o retorno condicionado à completa imunização da categoria e de grande parcela da comunidade escolar, com respeito ao ciclo de imunização para alcançar o grau máximo de eficácia das vacinas.

VEJA O TERMO DE RESPONSABILIDADE ABAIXO:

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Comentários

  • 1
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    Falei 21/07/2021

    Não sei porque a decisão é absurda?! Quem melhor que os próprios pais para assumir o que de fato é responsabilidade deles!? Eu mesma, faço questão em poder decidir. Se fosse obrigatório, estariam reclamando, se não é, reclamam do mesmo jeito!

  • 2
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    Gilzelia Pereira 21/07/2021

    Esse governo quer usar nossos filhos de cobaias para justificar os gastos irresponsáveis da SEDUC. Gastos esses como esses cursos horríveis, sem qualidade e apresentadores perdidos que ofereciam em diversas plataformas. Não adianta pressionar que no próximo governo em 2023 essa farra irá a público. A SEDUC quase não teve despesa desde março de 2020 com aulas que foram bancadas com a internet de professores e alunos. Retirou o auxílio transporte de professores e demais profissionais. Não criou um aporte financeiro para ajudar os professores ministrarem suas aulas. Cadê Casa de Lei de Rondônia¿ Essa se calou mediante a esse crime de abandono por parte do governo do estado. Meu esposo é professor e eu sei o que ele passou para manter seus alunos na sala de aula, não tinha horário, eram alunos nos três turnos, finais de semana e feriados um absurdo e esse sem noção torrando dinheiro público, olhem as corcentinas nas escolas estaduais de Porto Velho e vejam quanto deve ter custado o METRO DAQUELA PORCARIA. Temos um secretario de educação que tentou tirar 43 obras literárias das escolas publicas. O MP perdeu sentido no estado (cego surdo e mudo). A ALE – RO Votou um projeto do Deputado Eyder Brasil que torna o ensino essencial com DOIS DEPUTADOS CASSADOS, ou seja, um preso não pode votar por estar sobre custodia do estado. Por que 2 DEPUTADOS CASSADOS SEM MANDATOS VOTARAM? Essencial deputado era seus pares cassarem o Lebrão por furto ao erário público quando recebeu propina filmada. Essencial deputado era seus pares cassarem o mandato do Geraldo da Rondônia por bater em mulher e viver fazendo escândalos por ai quebrando o decoro parlamentar. Essencial deputado era vocês deixarem de receber auxilio paletó, combustível, moradia tendo salários robustos. Você é SEM NOÇÃO DEPUTADO EYDER BRASIL. Cadê a própria ALE - RO para se manifestar em relação a essas aprovações irregulares? Outra coisa, meia dúzia de funcionários que vem sendo transpostos estão recebendo licencia premio em pecúnia e ainda bem que tem uns recebendo porque a União não recebe ninguém com ônus. Esse governo é horrível e suspeito e foi eleito com o rotulo de honestidade é PALHAÇADA MESMO.

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